O NATAL EM CADA CANÇÃO – 1

AS CANÇÕES DE NATAL JOGAM LUZES SOBRE NÓS

“Demorada e difícil é a palavra desta Espera e Chegada, mas claro é a força do Instante. Os que servem ao Celeste, cantando, porém, da terra seus passos em direção ao céu…são jovialmente mais humanos!” (Hölderlin F.).


Vamos nesta série de textos refletir sobre Canções de Natal ou Cantigas Natalinas. O tempo é propício, pois a música instaura um clima todo especial neste belo clima de Natal. É uma tradição católica e protestante no que se refere à dimensão celebrativa do nascimento de Jesus e o fortalecimento dos valores cristãos. Estou baseando este texto em reflexões pessoais e também com as palavras de Arcângelo Buzzi em sua obra “ A arte de viver o poema da vida”, cujo pensamento adaptei a esta reflexão.

O Natal é uma festa eminentemente cristã. Salas de audição musical e concertos, casas, igrejas, ruas, lojas, calçadões, repartições públicas, rádios e mídias, músicos profissionais e amadores, bandas e corais fazem soar as melodias de Natal. E aqui estamos nós, neste Encontro, para não perder a memória de que há um Amor, um Senhor, um sentimento e emoção dentro de nós.

Muitas destas canções são tradicionais, o que não significa que são uma antiguidade desnecessária. Ela tem um sentido de tradição bem contrário ao sentido de tradicionalismo. A verdadeira tradição é a transmissão de uma experiência que marca a vida de gerações e que se torna fonte. A tradição está intimamente ligada com renovação.

Canções ajudam a estabelecer contatos com níveis mais sutis da vida. Elas podem nos acalmar e nos tirar de uma ansiedade estabelecendo em nós uma meditação necessária, e a meditação não deixa entrar a negatividade da perturbação.

 Uma música recupera em nós o melhor de nós; traz um perfume existencial. Não podemos deixar escapar momentos como este. É preciso colocar uma rolha onde o bom vinho foge. Há momentos bons de viver o céu aqui perto de nós, ao redor de nós e em nós.

Podemos realizar tudo com um toque do Sagrado, para isto existe a música e seus momentos, e temos que nos deixar conduzir pela vitalidade que estes momentos nos oferecem. As canções são convites para que possamos pensar as nossas experiências. Elas estão aí para nos ajudar a pensar, e pensar não é somente racionalizar, moralizar, não é dizer que se sabe mais e melhor, mas é conscientizar.

 Canções nos ajudam a um recolhimento na própria experiência, como quem ao falar uma coisa importante, pesa suas palavras. Canções trazem de novo o que sabemos há muito tempo.

Canções são necessárias. Quando dizemos que uma coisa é necessária, não a sentimos como algo imposto de fora, como a imposição de um dever que não revela a nossa necessidade. Para que algo se torne necessário, se pressupõe que esse algo nos atinja de tal maneira em nosso ser, que sem ele não somos nós, sem este algo não nos realizamos e não nos sentimos satisfeitos.

 Quem de nós não tem um grupo que gosta de cantar e canta sempre intensamente em seus encontros como uma verdadeira necessidade? A verdadeira necessidade é a profunda exigência que vem do nosso modo de ser, de buscar, de possuir o que desejamos, de fazer nosso aquilo que nos afeiçoa de todo coração, de tal maneira, que não podemos mais viver sem esta experiência, sem esta busca, no empenho da conquista daquilo que amamos.

Canções são expressões de nosso desejo, são uma grande afeição, uma grande paixão.  Para que eu possa gostar de uma canção eu tenho que sentir esta necessidade de ouvir, prestar atenção ou cantar junto. E há momentos também que não precisamos de palavras, mas de melodias. Nesta época de Natal gostamos de escutar e cantar canções que se aproximam de nós, uma vez ao ano, preenchendo o nosso mundo doméstico.

 Quando paramos os sentidos da vida começam a clarear, pois eles podem virar sombra em meio a um emaranhado de atividades, num mundo de ocupações. As canções de Natal jogam luzes sobre nós. Para ver, escutar e repetir a fala das canções é preciso haver uma parada, um deter-se com tempo. No jeito acelerado em que vivemos não temos mais afinidade com o espaço da demora.

Estas canções, vindas em cada época, nos faz saltar de um tempo a outro buscando no que acreditar. Diz o biógrafo Tomás de Celano sobre São Francisco: “E por vezes fazia coisas como estas. Quando fervia dentro dele a mais suave melodia do espírito, ele a expressava exteriormente em língua francesa, e a veia do divino sussurro, que seu ouvido captava furtivamente, prorrompia em júbilo. Às vezes pegava um pedaço de pau no chão, como vi com meus olhos, punha-o sobre o braço esquerdo, segurava na direita um arco de arame, passava-o no pedaço de pau como se fosse um violino e, fazendo os gestos correspondentes, cantava em francês, sentindo-se no Senhor da Vida” (2Cel 127).

CONTINUA
FREI VITORIO MAZZUCO

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